Educadores sociais e suas práticas junto a jovens : o cotidiano de ONGs na cidade de Campinas/SP

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DATA DE PUBLICAÇÃO

2008

RESUMO

Concomitantemente ao fortalecimento do projeto político neoliberal no Brasil, vivenciou-se a projeção nacional das organizações não governamentais (ONGs) que realizam práticas educativas voltadas para adolescentes e jovens pobres. A presente pesquisa pretendeu analisar as práticas educativas de educadores sociais em duas ONGs da cidade de Campinas, no interior do estado de São Paulo. Organizações estas atuantes no campo da educação e da assistência social e que se dedicam ao trabalho sócio-educativo com adolescentes/jovens em situação de vulnerabilidade social, no período contrário ao escolar. Para tanto, lançou-se mão de procedimentos como a observação participante, com anotações em diário de campo, num período de dois meses em cada instituição, as entrevistas semi-estruturadas com a equipe de trabalho e com os jovens egressos, bem como a aplicação de um jogo, nomeado Jogo do Consenso, como dispositivo facilitador das opiniões dos jovens no que se refere às suas experiências nas organizações estudadas. O conjunto desse material foi analisado com base nas principais categorias sobre as quais este trabalho se debruça: - os conceitos e discussões sobre o papel das ONGs/Terceiro Setor na sociedade brasileira contemporânea; - a condição atual da adolescência e juventude pobres e urbanas; - a educação na sua vertente mais abrangente, pois nos interessa, neste percurso, tanto os caminhos da educação formal como as práticas não formais e o educador social. Com os dados empíricos articulados com o suporte teórico, delineamos algumas discussões, entre elas: o retrato dos(as) educadores(as) sociais, as implicações do trabalho voluntário e do recebimento de baixas remunerações na prática do educador social, os programas de transferência de renda para adolescentes e jovens e o aprofundamento da categoria respeito como norteadora para (re)olharmos as práticas dos educadores, a partir das falas dos jovens. Frente às inúmeras dificuldades enfrentadas pelos educadores sociais no cotidiano do seu trabalho, desde a escassez de material para suas intervenções, formações frágeis, salários baixos, o trabalho técnico entendido como voluntário, entre outras, evidencia-se que tais práticas educativas podem, de maneira bastante restrita e individualizada, favorecer ampliações das redes sociais de suporte dos jovens pobres, mas ainda, e sobremaneira, operam na lógica do assistencialismo, uma vez que macrossocialmente não produzem, coletivamente, alterações no lugar social da população atendida, no caso, dos jovens pobres. Assim sendo, podemos inferir que existe um alinhamento, consciente (ou não), ao projeto político hegemônico neoliberal, que reproduz as desigualdades sociais, econômicas e políticas inerentes ao modo de produção capitalista, contribuindo para a manutenção do status quo. Finalmente, este estudo pretende contribuir para uma melhor qualificação das práticas propostas em espaços como os que aqui se analisa, para um desvelamento dos objetivos implícitos no modelo atual de intervenção pública na questão social, bem como para produzir subsídios para criação e implementação de políticas públicas voltadas a adolescentes e jovens, evidenciando-os como sujeitos de direitos, especialmente o de poder projetar suas vidas numa direção de autonomia e respeito.

ASSUNTO(S)

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